Como se dá a criação do homem por Deus à sua imagem e semelhança.

A atual vida física terrena do ser vivo não é a única que este viveu na Terra. Deixando à parte o fato de que o ser, em um momento mais avançado de sua evolução, experimentará com seus próprios sentidos a imortalidade como um feito real, se observamos a consciência, as faculdades e as disposições deste mesmo ser – tal como se aprensentam no homem comum – podemos ver que estes fenômenos são algo inacabado. Tampouco é difícil ver que todos os seres humanos não estão inacabados no mesmo grau. Mas para poder avaliar este estado inacabado dos seres vivos, deve-se conhecer primeiro o que caracteriza este estado totalmente acabado. Sobre este estado acabado sabemos, segundo a Bíblia, que é a meta a que se dirige a evolução dos seres vivos. As palavras bíblicas “façamos o homem à imagem e semelhança nossa”, expressam assim a finalidade cósmica que tem a evolução dos seres vivos. Além disso, a realização do plano divino tornou-se evidente através desse processo ao qual podemos observar como um feito físico conhecido como “evolução”. Não se pode viver a vida cotidiana sem fazer experiências. As experiências são conhecimento. Uma contínua soma de experiências na consciência estimula o desenvolvimento da mentalidade, o que é o mesmo que evolução. Novo conhecimento fomenta novos interesses e novos interesses abrem espaço para novas criações. E novas criações estimulam o desenvolvimento da faculdade criadora e de experimentar a vida. Deste modo, o ser é conduzido desde formas inferiores de experimentar a vida a outras cada vez mais superiores.

O homem no qual ocorre o processo de criação da “imagem de Deus”

O homem terreno representa uma escala evolutiva que vai desde o homem primitivo da selva até o homem civilizado e culto de nossos dias. E, destacando este último, podemos observar ainda uma pequena porcentagem de seres humanos mais avançados na evolução. Nestes seres humanos, apesar de que ainda lhes falta um bom trecho para chegar à meta que consiste em ser “imagem de Deus” – o que é o mesmo que a maneira de ser Deus – já se começa a vislumbrar uma certa “semelhança” com esta imagem. A maneira de ser de Deus é amor. Os seres mais evoluídos ou mais próximos da meta são, conseqüentemente, os mais amorosos. E os menos evoluídos são os seres humanos poucos amorosos. São brutais, fomentam guerras e discórdias, mutilam e assassinam.

O destino dos seres é, em grande parte, o resultado de suas vidas anteriores na Terra

Entre estes dois polos extremos existe uma escala progressiva de estádios intermediários. Se estes estádios evolutivos não são o resultado de um desenvolvimento, não existe nenhuma razão lógica que justifique suas existências. Se não são os mesmos seres os quais experimentam este desenvolvimento progressivo, desde o mais primitivo até o cada vez mais perfeito, que proveito teríamos da evolucão ? Se os seres vivos somente têm uma vida física, se vivem aqui na Terra sem antes ter vivido nela, porque nascem então em um determinado estádio evolutivo? Alguns seres humanos nascem em uma vida muito primitiva e rude, cheia de humilhações e opressão enquanto outros nascem em um vida mais ou menos luminosa, feliz e humana. Se somente tem que viver uma vida física, por que não nascem todos então sob as mesmas condições e circunstâncias ? Como poderia ser justo o fato de que um ser, que não viveu anteriormente, tenha um destino cruel de dores e sofrimentos enquanto outros seres, que tampouco viveram antes, nascem com um destino radiante e feliz ? Esta situação é diretamente ilógica e conseqüentemente injusta. E não se pode encontrar outra situação semelhante em todos os restantes processos criadores da natureza.

Estes processos são absolutamente lógicos em seus resultados finais e, além disso, fonte constante de alegria e bençãos para os seres vivos. Se não existiram antes, como é possível que alguns seres representem estádios evolutivos superiores e outros, estádios inferiores ? O que é que faz com que os seres tenham destinos diferentes ? Acreditar que herdaram seus talentos e seus destinos de seus pais não é de forma alguma a solução. Existem filhos que têm mais talentos e maior inteligência. Alguns podem inclusive ser gênios enquanto seus pais não o são. De onde têm esta inteligência ? Isto somente pode ser inteligência própria desenvolvida em uma vida anterior que, guardado nos núcleos de talentos da supraconsciência e juntamente com esta e o eu do ser sobreviveu à morte física ou libertação do corpo físico anterior. Através dos núcleos de talentos, dita inteligência pode agora, sob condições especiais, manifestar-se outra vez em um novo organismo.

A reencarnação ou renascimento

Todas as faculdades e disposições dos seres vivos são, conseqüentemente, transferidas em forma de núcleo de talentos ao novo organismo físico do ser em uma nova vida física. Esta transferência das faculdades e disposições do ser para um novo organismo físico é o que chamamos de renascimento ou reencarnação. Estes núcleos dos talentos são, naturalmente, de natureza espiritual e, por causa disto podem, como já dito, sobreviver à destruição do corpo físico e, através de alguns componentes microcósmicos e super microcósmicos, ser transferidos de novo para criar um novo organismo físico no qual possam desenvolver-se.

A vida terrena do ser vivo é um simples elo de um cadeia de ciclos

Devemos lembrar que todas os tipos de energia ou movimento movem-se em
ciclos. Vemos que nossa vida física desenvolve-se como o ciclo do dia, isto é, como a experimentação do dia e da noite. E do mesmo modo, desenvolve-se também como um ciclo anual que é o mesmo que a experimentação do inverno e do verão. Mas a mesma vida terrena, física, do ser vivo, desde o nascimento à morte, também é um ciclo ao qual chamamos de “o ciclo da vida terrena”. Se observarmos um ciclo deste tipo, vemos que é um simples elo de um cadeia de ciclos análogos. Deste modo, vemos que os dias passam um após o outro, que os anos passam um após o outro, do mesmo modo que, como já sabemos, a vida dos seres vivos desenvolve-se em ciclos cósmicos de espiral. Dado que cada um dos ciclos constitui, sem nenhum exceção, um simples elo de uma cadeia de ciclos, o que é que nos autoriza então a supor que nossa vida terrena não é, igualmente, a um simples elo de uma cadeia de ciclos parecidos ? Que a vida do ser vivo na Terra é um simples elo de uma cadeia de vidas terrenas, que o ser em questão está vivendo, apresenta-se ao observador evoluído como um feito através de tudo o que o circunda. E se não quer aceitar esta análise, toda a vida será um caos e uma casualidade. Faltará um sentido e, portanto, será totalmente injusta, o que é o contrário ao fatos em vigor que mostram que todos os processos criadores da vida, os quais estão acabados, são em seu resultado final, alegria e bençãos para os seres vivos. Além disso, é evidente que as criações inacabadas não podem cumprir este fim antes de estar acabadas.

Os princípios das estações do ciclo do ano e do dia

Observando o princípio dos ciclos poderemos, além disso, comprovar em que ponto de seu ciclo cósmico está a humanidade terrena. De acordo com a lei do movimento, a trajetória vital do conjunto da humanidade terrena tem, também, que necessariamente efetuar-se em ciclo. E como dissemos, podemos verificar em que lugar deste ciclo esta se encontra atualmente. Vemos que todos os ciclos da natureza têm quatro estádios característicos, representando cada um deles seu princípio particular. Assim vemos que o ciclo do ano tem quatro fases às quais chamamos de “estações”. Quando sua relação mútua de contraste é grande, estas estações formam conjuntamente o contraste luz e escuridão ou “o bem” e “o mal”. Conhecemos as estações do ano como: “inverno”, “primavera”, “verão” e “outono”. O inverno é a época do frio. A vida ou a natureza está aqui em sua fase mais ínfima de manifestação. A primavera brota da época invernal. A luz e o calor começam a surgir. Todas as formas de vida da natureza brotam e crescem. Depois vem o verão. Aqui culminam a luz e o calor. A vida e a natureza chegam assim ao seu maior desdobramento ou culminação. Depois do verão vem o outono. A luz e o calor diminuem e com eles diminuem também o desdobramento de vida na natureza. Em continuação vem de novo o inverno com o seu frio e a sua escuridão que, gradualmente, vão sendo fatores mais dominantes. E a vida da natureza voltou de novo ao seu estádio mais ínfimo de manifestação. No ciclo do dia podemos observar os mesmos quatro princípios. Começamos com a “meia-noite”. Aqui temos o domínio do frio e da escuridão e da escuridão, onde a vida está em sua menor manifestação. A meia-noite é, deste modo, o princípio “inverno” do ciclo do dia. Em continuação vem a parte do dia à qual chamamos de “manhã”. A luz e o calor começam a surgir e a vida desperta para uma nova expansão. Aqui temos o princípio “primavera” do ciclo do dia. Logo vem a parte a que chamamos de “meio-dia”. Aqui culminam o calor e a luz e, com eles, a vida e a natureza. O meio-dia é o princípio do “verão” do ciclo do dia. Logo vem o “outono” do ciclo do dia que é a parte do tempo a qual conhecemos como “tarde”. Aqui a luz e o calor começam a diminuir. Fica mais fresco. O desdobramento da vida na natureza diminui e adormece. E depois temos de novo a “fase invernal” do ciclo do dia. Estes quatro princípios das estações são fatores vitais que intervém na manifestação e na experimentação de todo o estado físico de vida.

As “estações” do ciclo da vida terrena

Se contemplamos nossa própria vida terrena, podemos observar exatamente os mesmos quatro princípios que encontramos nas estações. A criança recém-nascida representa o princípio inverno. É como a árvore sem folhas que encontramos nos bosques nesta estação do ano. Sua vida ficou paralisada na velhice ou outono de uma vida terrena anterior e passou a seu atual estado no qual, em maior ou menor grau, dorme. Mas após a “fase invernal” deste ser, brota a “primavera”mental, manifestando-se gradualmente como desdobramento psíquico e físico. Conhecemos esta “primavera” do ciclo da vida terrena sob o conceito de “juventude”. Depois da “primavera” deste ser, vem também o “verão”. O ser chegou a poder manifestar toda a força, o conhecimento e a manifestação de sua alma. Chamamos esta fase mental do “verão” de “idade adulta”. Após esta fase de “verão” vem a fase mental do “outono”. Aqui o desdobramento vital físico do ser começa a diminuir. O organismo envelhece. O ser vai se aproximando lentamente até o fim deste ciclo de sua vida terrena para, após uma existência espiritual, entrar na etapa mental do inverno de uma nova vida terrena, do mesmo modo que os dias sucedem os dias e os anos sucedem os anos.

Por que o homem terreno ignora, em maior ou menor grau, o renascimento ou reencarnação?

É certo que com os sentidos físicos o homem inacabado não pode perceber mais além do ciclo de sua própria vida. É por isso que é vítima da superstição milenária que afirma que a sua atual vida terrena, o ciclo de vida terreno, é a única vida terrena que experimenta. Não tem nenhum conhecimento de sua vida terrena física anterior. Por causa disto, não pode compreender que no futuro voltará a nascer e viverá em um novo organismo físico. E esta superstição, ignorância e falta de aptidão para compreender os feitos cósmicos ou eternos é o que faz que tampouco tenha qualquer explicação para a escuridão ou “o mal” e, conseqüentemente, nao lhe seja possível ver que o tom fundamental do universo é o amor. E que os sofrimentos e os destinos infelizes não são nem “ira” e nem “castigo” de Deus, mas contrariamente uma condição vital absolutamente necessária para que os seres vivos, em seu resultado final, possam chegar a ser “o homem à imagem e semelhança de Deus”. É certo que esta escuridão mental ou sofrimento são desagradáveis e dolorosos, mas como estão a serviço de uma finalidade útil e indispensável sem a qual o homem não poderia de forma alguma transformar-se em “imagem e semelhança” de Deus”, a escuridão ou sofrimentos devem necessariamente ser qualificados como “o bem desagradável”, e o bem ou a luz como “o bem agradável”.

As estações do ciclo de espiral cósmico

Do mesmo modo que os ciclos dos dias, dos anos e da vida terrena têm seus quatro princípios os quais conhecemos como princípios da estações do ano ou estações, cada um dos ciclos da espiral de evolução também têm estes princípios das estações ou estações. Como já conhecemos os quatro princípios denominados estações e sua natureza especial, não é difícil ver em que ponto deste grande ciclo cósmico de espiral se encontra a humanidade terrena atualmente. Podemos observar então com qual das quatro estações ou princípios o modo de ser da humanidade encontra-se em contato mais próximo. O que existe, então, de mais característico e mais generalizado no modo de ser da humanidade terrena? O mais característico ou mais generalizado modo de ser da humanidade terrena é o princípio mortífero. Os seres humanos degolam e matan milhões de animais e acreditam que comer carne ou produtos carnívoros é uma necessidade vital. Além disso, as nações e os seres humanos lutam entre si fazendo guerras. Cometem assassinatos e homicídios. Causam invalidez e morte antinatural. Não é difícil ver que a humanidade vive no princípio do inverno que é o princípio ou domínio da escuridão e do frio. Mas após o inverno vem a primavera. Existe algo que indica que a humanidade caminha para uma primavera cósmica ? Sim, em elevado grau. O grande número de iniciativas que colocam em marcha a paz, a abolição da guerra e trabalham para assegurar os direitos humanos, além de toda atividade do tipo missionário e religioso, o movimento da Cruz Vermelha, todas as atividades de tipo humanitário, os hospitais e as atividades relacionadas a isto, a ajuda a países em vias de desenvolvimento, a assistência a pessoas doentes e anciãs ou na terceira idade, a incipiente proteção aos animais, etc. Tudo o que atua em um sentido humano é, desta maneira, um raio de sol cósmico e levará a humanidade em direção à paz, à alegria e à felicidade autênticas, que são a “primavera” do ciclo de espiral cósmico. Depois desta primavera, a humanidade entrará no “verão” cósmico do ciclo de espiral. Esta época do ciclo de espiral é o estado mais elevado de experimentação da vida. Nela os seres vivem em um estado em que culmina a consciência cósmica, em um estado de intuição e bem-aventurança. E após um espaço imenso de tempo, começa a entrar na “fase do outono”do ciclo de espiral. Aqui as memórias do ciclo de espiral, que está chegando a seu fim, vão debilitando-se, e o ser se dirige, em um estado de não consciência cósmica cada vez maior, até a “fase do inverno” de um novo ciclo de espiral. Voltaremos a isto na explicação do símbolo *. Acabamos então de ver agora que toda a experimentação da vida efetua-se em forma de ciclos, cada um dos quais constitui uma totalidade acabada. Uma totalidade deste tipo ou ciclo forma, por sua vez, um novo elo de uma cadeia de ciclos semelhantes, sejam estes ciclos do dia, ciclos do ano, ciclos da vida terrena ou do gigantesco ciclo cósmico de espiral. As leis cósmicas nos mostram, deste modo, a vida terrena física dos seres como um elo de uma cadeia de vidas semelhantes. A reencarnação ou renascimento mostra-se aqui, portanto, como um elo natural da evolução e da existência eterna dos seres

A reencarnação e a criação do ser “à imagem e semelhança de Deus”

Dado que o corpo físico do ser vivo é um instrumento para que este experimente a vida e crie na esfera física, para que possa evoluir ou transformar-se desde o estádio primitivo ao intelectual, desde a brutalidade ao humanismo, é imprescindível que o ser possa substituir seu corpo físico à medida que evolui de um estádio ao outro. Como poderia um homem adquirir um corpo humano se não existisse a reencarnação ou nascimento? Caso não fosse assim, seria impossível ao ser obter um organismo. Como poderia o eu ter um organismo adequado a seu espírito se, através da reencarnação, não pudesse adquirir um novo à medida em que desenvolve este espírito? Como poderia um espírito altamente desenvolvido manifestar-se de uma maneira satisfatória através de um organismo primitivo? Se o ser nao pudesse ter um novo organismo adequado a cada nova e mais elevada etapa evolutiva pela qual passa seu espírito, de que serviria que o espírito evoluisse, se nao lhe fosse possível ter um corpo adequado a esta evolução? Como poderia um homem civilizado, altamente desenvolvido e intelectual, manifestar sua inteligência e cultura, se não tivesse tido a possibilidade de substituir seu organismo físico, à medida em que seu espírito crescia e lhe apresentava maiores exigências ao organismo? E como poderia este mesmo ser ter adquirido seu organismo atual, adequado a seu estádio, se não existisse a reencarnação e se não fosse possível libertar-se do velho organismo, não comentando ainda o fato de que nenhum organismo de carne e osso poderia viver todo o tempo que é necessário para transformar-se de animal a homem, mesmo que gradualmente pudesse ir adaptando-se a este estádio tão elevado ? Como poderia o organismo de um pigmeu, para não dizer o de um símio, transformar-se desde seu estádio primitivo até o organismo de um homem civilizado e culto, altamente desenvolvido, transformar-se em um organismo apropriado para “o homem à imagem e semelhança de Deus” sem a reencarnação? Por acaso não nos são confirmadas aqui as palavras de Jesus a Nicodemos: “em verdade, em verdade eu te digo, que sem nascer de novo, não se pode ver o reino dos céus”? . E mais adiante Jesus precisou a Nicodemos de um forma ainda mais clara quando disse a ele: “em verdade, em verdade eu vos digo, que sem nascer de novo da água e do espírito, ninguém pode entrar no reino dos céus”. A reencarnação ou renascimento é a única possibilidade que torna factível a criação do homem por Deus “à sua imagem e semelhança”.

Maiores detalhes sobre todos os temas citados nesta página de internet – www.martinusonline.net – encontram-se na obra capital de Martinus “Livets Bog” – O Livro da Vida e nos 4 volumes dos livros dos símbolos “Det Evig Verdensbillede” – A Imagen Eterna do Universo – onde Martinus explica os princípios cósmicos e eternos.