Os efeitos de uma alimentação desacertada

Os efeitos de uma alimentação desacertada podem acompanhar o indivíduo através de várias encarnações. O mais difícil para o seguidor da tradicional forma de alimentação será a transformação de sua capacidade degustativa e a superação desse desejo tão desenvolvido de saborear a comida que para ele tornou-se uma espécie de diversão e, mais do que isso, um vício.

Este deve aceitar o fato de que uma alimentação em conformidade com as leis divinas, isto é, a comida que gera saúde não pode de modo algum constar, como de costume, de tantos tipos diversos de componentes cada um dos quais, em muitos casos, compondo uma série de combinações químicas não científicas, altamente prejudiciais ao organismo, e nem de bebidas alcoólicas ou que contenham produtos tóxicos. O adepto da antiga forma de alimentação dever dar-se conta de que uma “mesa bem preparada”, segundo a mais refinada moda atual, é na verdade um caminho que, oculto sob a prata, o cristal e as flores, conduz ao hospital. É um atalho que, adornado de festa, conduz à morte. Esta é a causa que desencadeia as doenças orgâncias e a calcificação. E enquanto as doenças influenciam o humor e a mente, a calcificação dificulta toda a função intelectual.

As citadas mesas “bem preparadas” fomentam também a obesidade. A linha esbelta, artisticamente bela, fixada pela natureza como o contorno da forma do corpo humano, ultrapassou seus limites. A esbelteza é uma raridade entre os indivíduos que chegaram à idade dos quarenta. A forma corporal destes chega a ser tão antinatural como a própria “ mesa bem preparada”.

O fato de que as pessoas, e especialmente o “belo sexo”, tentem reconsquistar a linha natural com a ajuda de medicamentos emagracedores que, apresentados como uma panacéia, tão altamente antinaturais como a obesidade, não soluciona o problema. Os órgãos do metabolismo que estão deteriorados não se deixam, – em um abrir e fechar de olhos, ou através de uma “palavra mágica” como “comprimidos”, “pós” –, conduzir instantaneamente ou por meio de milagres à sua função normal de origem.

Para a visão cósmica é evidente que uma capacidade metabólica destruída pode, nos pior dos casos, acompanhar o indivíduo ao longo de várias encarnações. Nestas encarnações, o indivíduo tem uma função metabólica anormal desde o nascimento e mostra, desde a sua mais tenra infância, uma marcante tendência à obesidade. Neste caso, se pretenderá que tal tendência foi herdada dos pais. Mas, porque então um indivíduo nasce precisamente de pais semelhantes e não no seio de uma família onde estas penosas tendências não existem? Um nascimento que supõe uma existência antinatural para o espírito do indivíduo, no caso, um aprisionamento à gordura, seria expressão do mais alto grau de injustiça e ofuscamento se, precisamente, neste mesmo indivíduo não houvesse algo que justificasse dito nascimento.

E este algo é o que para o observador espiritual se apresenta como semelhante à capacidade criadora do próprio indivíduo; capacidade que procede de uma encarnação anterior e se encontra em seu corpo eterno. Este corpo eterno forma um corpo espiritual no qual o eu do indivíduo se manifesta, independemente de estar ou não encarnado em um corpo físico ou material. Os excessos, o costume às inclinações errôneas ou antinaturais em uma existência material ou terrena, fazem com que o indivíduo reduza ou destrua, em grau proporcional, esta capacidade criadora.

Uma alimentação desacertada pode, por conseguinte, influir sobre a faculdade criadora do indivíduo de modo que este, entre outras coisas, quando se encontra diante de uma nova encarnação, torna-se incapaz de formar em seu corpo físico órgãos adequados para um metabolismo normal. A consequência disto é que este corpo, desde sua concepção, é objeto de uma excessiva acumulação de gordura. O fato de que tal indivíduo nasça, preferentemente, de pais com tendências semelhantes ou, se deteriorou sua capacidade criadora por meio da bebida nasça de pais propensos à bebida, ou de algum outro modo nasça de pais que têm as mesmas inclinações, sejam boas ou más, deve-se, naturalmente, à lei da atração e repulsão. Mas para compreender isto, devemos retroceder ao estado desencarnado do indivíduo, isto é, à sua existência espiritual antes de seu atual nascimento no qual, além de ter certos corpos espirituais secundários, aparece também com um corpo comum ou principal, que está descrito no “Livets Bog” (O livro da vida) como o “Corpo eterno” do indivíduo ou o “X 2”.

O “Corpo eterno” constitui a sede principal da faculdade criadora do indivíduo e é o que lhe permite manifestar-se e ser capaz de nascer de novo. Este corpo se transforma, por conseguinte, na principal causa desencadeadora da criação de um novo corpo físico por parte do indivíduo. Através deste corpo espiritual, que representa a sétima energia básica, desencadeiam-se as correspondências do indivíduo com as outras seis energias básicas da existência, que equivalem à sua vida cotidiana e modo de ser, sua construção e descomposição da matéria, sua juventude e velhice, sua existência física e espiritual. Este corpo, dado que aparece deste modo como o ponto onde se realiza uma combinação de energias básicas, combinação esta que ocorre sob um processo de mudança constante, manifesta a todo momento uma forma de irradiação correspondente a dito processo. Esta irradiação pode ser definida como “auréola espiritual” do indivíduo, que está formada por energia espiritual. Mas como a energia espiritual, segundo o “Livets Bog” (O livro da vida), forma parte do que chamamos “eletricidade”, esta auréola manifestará certo tipo de eletricidade.

Uma quantidade de energia elétrica que aparece sob uma forma determinada e limitada é classificada de “longitude de onda”. E uma “longitude de onda” somente pode ser dirigida em virtude da atração e da repulsão. Atração e repulsão, por sua vez, somente podem ser desencadeados por meio de ”aparelhos”. No que se refere ao ser espiritual ou todavia não nascido, estes aparelhos estão formados, até certo ponto, por seres encarnados em corpos físicos. Quando um ser masculino e um ser feminino estabelecem uma relação sexual e esta união é perfeita, isto é, ocorre uma fecundação, estes seres desencadearam, mesmo que inconscientemente, a atração da auréola espiritual de um ser desencarnado. Com a relação sexual, estes dois seres atuaram como “aparelho receptor” da auréola ou “longitude de onda” de um ser não nascido. Esta “longitude de onda” é retida, por sua vez, pelo “condensador” do “aparelho receptor”, isto é, pelos órgãos reprodutores do ser feminino. Depois da relação sexual, a energia do ser não nascido ou desencarnado pode, através dos citados órgãos, começar a vibrar em uma matéria física. E o resultado disto constitui o que chamamos de “formação do embrião”.

O ser feminino assume aqui a função de intermediário direto, de instrumento do indivíduo desencarnado ou ser espiritual que agora está se materializando, isto é, que agora está criando um novo corpo físico. Quanto este corpo alcança uma “madurez” suficiente, é expulso do corpo físico do intermediário mediante esse processo ao qual chamamos de “nascimento” e que depois aparece no plano físico como “recém-nascido” e cidadão do mundo. O ser feminino é a sua “mãe” e o ser masculino, seu “pai”.

Não posso aqui, evidentemente, entrar em detalhes, dado que se trata de um tema muito amplo e, por isso, devo de novo remeter o leitor ao “Livets Bog” (O livro da vida). Mas, se aqui insisto ligeiramente nesta questão, é simplesmente para mostrar que nenhuma tendência congenital se origina de um modo injusto, mas que estas, em todos os casos, são resultado da própria conduta do indivíduo em vidas ou existências anteriores. Porque cada indivíduo desencarnado constitui uma “onda de uma determinada longitude” e o caráter desta está formado por todos os costumes e inclinações, por todas as construções e deteriorações da capacidade criadora que o ser em questão desenvolveu em suas últimas encarnações físicas. E esta limitação especial da “longitude da onda” condiciona de modo equivalente o ajuste dos “aparatos” para sua recepção. Nenhuma “auréola espiritual” de um indivíduo desencarnado pode ser atraída por um “aparelho”, isto é, por pais ou intermediários que de alguma maneira não se encontrem no mesmo “campo da onda”.

Esta disposição divina é a que condiciona o fato de que vacas não gerem ursos, que ursos não gerem elefantes e que elefantes não gerem homens etc. e que espécies de seres vivos dêem lugar aos indivíduos especialmente adequados às suas. Mas, da mesma forma que as leis eternas condicionam o nascimento correto das espécies, estas mesmas leis também determinam que indivíduos defeituosos e perfeitos tenham, cada um segundo o que lhe corresponda, um nascimento adequado de modo que a nenhum indivíduo, por meio da herança, se lhe adjuntem tendências, boas ou más, das quais este, originalmente não seja a causa. A lei da atração e da repulsão condiciona, deste modo, o fato de que cada indivíduo tenha sempre, em suas mãos, a direção de seu próprio destino e que constantemente possa trabalhar para a sua própria divinização. O mais importante para tal indivíduo é chegar a um claro conhecimento de seu supremo poder divino, para usá-lo em seu próprio destino em direção às cúspides mais elevadas.