Os sentidos de nutrição do homem terreno estão transtornados

A questão da alimentação ideal forma parte dos grandes problemas atuais. A crescente evolução dos homens, desde um estado rude, primitivo e animal à uma forma mais perfeita ou refinada de existência, é desde muito tempo um fato consumado para o avançado pesquisador da ciência espiritual. Do mesmo modo, é também um fato consumado para este mesmo pesquisador que quanto mais refinado seja um organismo, mais refinados devem ser os materiais ou a alimentação que o sustentam. Enquanto o homem primitivo pode, sem inibições, comer alimentos retirados do lixo, ou saborear produtos com mal cheiro, jogados fora, o refinado homem civilizado somente pode ingerir os chamados “produtos frescos”, que de preferência não tenham sido “tocados pelas mãos humanas”, mas elaborados sob os mais refinados processos de higiene.

É importante, entretanto, enfatizar que a evolução do sentido de nutrição deste último, e que neste caso se refere especialmente aos seus órgãos da degustação, está muito longe de poder acompanhar o desenvolvimento do resto de sua evolução. Na verdade, o sentido de nutrição tem como tarefa provocar especialmente fome e sede naturais. Fome e sede naturais devem ser entendidos como um desejo sadio por substâncias especiais que o organismo tem que absorver e assimilar para a completa manutenção de sua saúde. Um sem-fim de enfermidades orgânicas e doenças graves que atacam os homens civilizados são provas de que seus sentidos de nutrição não criam fome e sede naturais. Pelo contrário, fomentam o desejo de alimentos e estimulantes não naturais.

Desde um ponto de vista cósmico, apenas uma porcentagem reduzida de homens civilizados está absolutamente sã. Mas, em relação a isto, também devem ser levadas em conta outras circunstâncias tais como o clima, o exercício físico, o sono, o ar fresco, a luz, a higiene e o vestuário. Além dessas realidades, o apetite deve, naturalmente, ser sadio. Caso contrário, é inútil que os alimentos que o indivíduo consuma sejam saudáveis. É por isso que é inútil que uma pessoa consuma alimentos sadios se, permanentemente, vive em um ambiente insalubre, ou se anda vestido com roupas impróprias ao clima onde vive. Do mesmo modo é inútil que viva em um ambiente de ar puro, de clima saudável, use roupas apropriadas etc, quando de um modo permanente introduz em seu organismo produtos antinaturais.

Todo organismo está dotado de órgãos que desenvolvem a fome e a sede naturais; isto é, que fomentam o desejo normal dessa alimentação absolutamente genuína ou que procuram satisfazer as condições especiais nas quais se baseia sua existência totalmente sã. Nos animais, em regra geral, estes órgãos – ou esta consciência da alimentação – encontram-se, todavia, em sua forma autêntica. Isto significa que estes órgãos os protegem, quase totalmente, contra erros em seu modo de viver ou, em grau equivalente, fazem com que somente possam perceber como agradáveis os tipos de desfrute e os tipos de vida absolutamente normais para a fase ou etapa de evolução na qual se encontram.

No caso dos seres aos quais normalmente chamamos de “homens” a situação é muito diferente. Segundo o “Livets Bog” (O livro da vida) estes “homens”ainda não chegaram à culminação de sua evolução. Por isso, e até certo ponto, ainda pertencem ao reino animal. Os sentidos de nutrição destes seres estão totalmente transtornados, degenerados e são de pouca confiança. Isto significa que estes seres em questão podem, às vezes, experimentar uma fome, e inclusive uma gula, muito fortes por substâncias mais ou menos antinaturais. Este desejo tem, em ocasiões, uma força tal que faz com que estas substâncias apresentem-se frequentemente como alimentos e bebidas cotidianos.

Substâncias antinaturais são aquelas que, por um lado, carecem de valor alimentício e, por outro, são indigestas para o organismo humano. São substâncias cujo valor alimentício real exigem que organismo, em seu processo de asssimilação, perda uma quantidade de forças demasiado grande. Além disso, estas substâncias manifestam, em algumas ocasiões, um vigor tal que fazem o organismo reagir de maneira muito forte, provocando um desequilibrio em sua base. Por isso, estas substâncias são puro veneno para o corpo. É lógico, então, que enquanto os sentidos de nutrição dos homens terrenos – o paladar – continuem instáveis, e inclusive possam chegar a exigir um desfrute diário ou permanente destas substâncias venenosas, seu organismo desenvolva, em grau correspondente, uma conduta enfermiça, anormal e miserável.

Quando o indivíduo não tem nem o instinto e nem a inteligência suficientes para escolher a alimentação ideal.

Os homens terrenos experimentaram, através das religiões, da ciência e do saber, unidos aos outros acontecimentos dos últimos séculos, um forte e crescente processo de evolução. Isto originou, especialmente, um marcante desenvolvimento na inteligência dos indivíduos, ampliou o horizonte de seus sentidos e lhes deu poder sobre forças e realidades cujas existências não suspeitavam. Como este poder equivale a um incremento do que se qualifica de “livre arbítrio”, ou capacidade de exercer por vontade própria, este “livre arbítrio” do homem terreno alcançou um nível consideravelmente superior à conhecida forma animal e primitiva do “livre arbítrio”.Enquanto esta última forma é dirigida, em sua maior parte, por disposições do tipo instintivo, a primeira passou a ser dirigida, em grande parte, por disposições com base na inteligência. Deste modo, o homem terreno elevou-se, até certo ponto, acima do reino animal comum, conquistando novos e amplos campos espirituais e psíquicos. Mas, no mesmo grau em que se adentrou por novas áreas espirituais e usa a inteligência ao invés do instinto, degenera-se este último. Porque existe uma lei natural e inquebrantável que consiste no fato de que as partes de um organismo que não são usadas, como por exemplo os órgãos, os membros, os sentidos etc… finalmente tornam-se inúteis, degeneram-se e por ultimo, após sucessivas encarnações, descompõem-se e desaparecem.Por conseguinte, somente podem conservar-se usando-as. Dado que o relevante e evoluído instinto dos animais está, deste modo, degenerado nos homens, e este instinto era a base da faculdade de sentir fome e sede absolutamente normais, a faculdade do homem terreno de sentir desta maneira está também, de modo equivalente, degenerada.

Se o organismo do homem terreno não tivesse sido refinado, ao mesmo tempo em que sua evolução o encaminha ao abandono do reino animal, e houvesse continuado tendo a mesma robustez para ingerir a habitual e tosca alimentação animal, então a sua consciência do hábito, em relação a esta alimentação, o teria protegido e não haveria ocorrido nenhuma mudança no seu tipo de vida. Mas o organismo refinou-se e as substâncias necessárias para o seu sustento devem ter um grau proporcional de refinamento. Além disso, o homem terreno, em sua evolução, entrou por áreas nas quais seu organismo já não suporta a velha alimentação animal, mas exige produtos novos e refinados, enquanto o seu instinto se mostra em um estado de degeneração que não pode seguir garantindo-lhe nem o desejo e nem a escolha da alimentação correta, tal como acontecia anteriormente.

Por causa disto, o indivíduo deve encontrar, por meio de sua inteligência, os alimentos que podem ser considerados como os adequados para o estado evolutivo atual de seu organismo. Mas como em um organismo nada pode nascer em um estado adulto, senão apenas pode estar em condições de ser utilizado após uma evolução gradual, a inteligência tampouco pode nascer em um estado adulto, mas deve desenvolver-se. Como a inteligência, por sua vez, somente pode evoluir-se por meio de experiências, o homen terreno deve, naquelas zonas onde já ultrapassou o velho instinto animal, buscar as realidades autênticas através de suas experiências.

Mas a experiência surge através dos erros, e o homem terreno encontra-se em uma zona de evolução onde, precisamente por causa de seu instinto deficiente e sua inteligência todavia imperfeita, comete uma grande quantidade de desacertos. Graças à sua avançada capacidade de existir segundo sua própria vontade, pode escolher por si próprio, o que quer comer e beber, mas não tem nem o instinto e nem a inteligência para escolher o absolutamente perfeito e adequado para o estado evolutivo de seu organismo. Por isso, geralmente, o indivíduo não só escolhe alimentos, que somente de um modo amplo podem ser considerados como tais, mas também e inclusive elege realidades que não são, de nenhum modo, alimentos.

Absorver alimentos não adequados cria um desequilíbrio no organismo. Como o desequilíbrio somente pode manifestar-se sob a forma de enfermidade e dor, é compreensível que esta situação, no que se refere ao homem terreno, tenha dado lugar às realidades como “feiticeiros”, “curandeiros”, médicos etc, que curam, com pouca ou muita sorte, os organismos minados e sobrecarregados. Além disso, estas mesmas circunstâncias são as que conduzem a aflita humanidade a aferrar-se a um sem-fim de remédios patenteados que florescem de modo tão exuberante, ou a qualquer tipo de pó ou líquidos conquanto apresentem a etiqueta “remédio”, independentemente do quanto perigosos ou desgastadores que sejam para o organismo, segundo uma análise cósmica.

Assim mesmo foram descobertos ou inventados remédios anestesiantes que, certamente, acalmam a dor de um modo temporal, mas na realidade destroem a capacidade que o organismo tem de registrar a presença de matérias tóxicas e de opor-lhes resistência ou lutar contra elas. É um fato que um tipo de vida com alimentos e bebidas não naturais fomenta uma acumulação permanente de matérias tóxicas no organismo; e que além disso, o consumo de “remédios” fomenta outro tipo de de acumulação de substâncias tóxicas que talvez, em certas circunstâncias, podem remediar os efeitos das primeiras, mas em muitos casos, produzem diferentes efeitos prejudiciais e incuráveis.

E assim se consome a própria e suprema faculdade criadora do indivíduo o que no livro “Livets Bog “ – O livro da vida – cita-se como o “X2”. Segundo as leis eternas do amor, esta destruição progressiva culmina em uma catástrofe, que por sua própria natureza, é terrível e se manifesta como a experiência mais extrema ou dilacerante que existe. Entretanto, e por causa de seu forte modo de atuar, essa catástofre detém totalmente a destruição progressiva, e deste modo, conduz o indivíduo de novo ao normal ou natural e lhe dá vontade e força para que jamais, dentro de sua atual espiral evolutiva, possa distanciar-se do caminho normal ou divino no que refere à alimentação.

Esta catástrofe ocorre porque o indivíduo, durante um certo tempo, desgastou sua faculdade criadora e, por causa disto, torna-se incapacitado – no pior dos casos durante varias encarnações – de criar um corpo físico perfeito ou normal. Por isso deve, nos citados períodos, apresentar-se no plano físico como formando parte do grupo de seres aos quais chamamos de “débeis mentais”. En relação a isto é importante lembrar que, de acordo com o “Livets Bog” (O livro da vida), o modo pelo qual o indivíduo se apresenta em sua atual vida física está condicionado por três componentes hereditários que se manifestam sob a forma de suas aptidões inatas , isto é, sua própria aptidão adquirida em uma existência anterior e as aptidões ou tendências de seu pai e de sua mãe atuais que, até certo grau, encontram-se presentes em seu corpo físico.

Na infância, as aptidões ou tendências do pai e da mãe o dominam, de forma relativa. Esse domínio vai, gradualmente, tornando-se mais forte atè aproximar-se à idade dos trinta anos. A partir dessa idade, a própria herança do indivíduo, ou as tendências inatas, serão as que dominarão seu corpo atè a sua morte.Esta herança adquirida em uma existência anterior é a que é decisiva para a normalidade do indivíduo na atual encarnação física. Mas este tema é demasiado amplo poder explicá-lo aqui e, por isso, devo remeter o leitor interessado nesta questão à minha obra principal “Livets Bog” (O livro da vida).