Por que o homem terreno prefere a alimentação animal ?

Os alimentos dos quais os homens terrenos se distanciaram e dos quais estão começando a sentir aversão não podem ser considerados absolutamente como normais, dado que, até certo ponto, se manifestam como expressão de energia estranha e não aceitável para a maior parte do organismo. A tais alimentos pertencem a carne, o peixe, a banha, os mariscos e outros parecidos. Estas substâncias comestíveis são somente adequadas para seres com órgãos robustos e toscos como os felinos, os caninos etc. As citadas substâncias serão uma alimentação antinatural no mesmo grau em que o nível evolutivo do homem terreno se encontre acima do nível ou fase destes seres.

O fato de que os homens comam estes produtos cotidianamente demonstra que a consciência deles em relação à alimentação ou os seus órgãos do paladar não puderam evoluir no mesmo ritmo que o resto do organismo. Estes órgãos do paladar ainda não produzem essa fome, essa sede e tampouco esse desejo normal e verdadeiro por alimentos adequados ao avançado nível evolutivo dos homens.

Em outras palavras, o gosto especial destes alimentos ainda não tem para eles uma natureza suficientemente agradável ou familiar para que tenham podido deixar o sabor dessas citadas substâncias animais. É por isso que é estranho ver como os homens, precisamente hoje, comem carne; isto é, elegem os vastos alimentos animais que, considerados como substâncias alimentícias, têm um nível muito inferior ao dos alimentos que, para a visão cósmica ou oculta, mostram-se como os verdadeiros para o evoluído organismo do homem terreno.

A atual humanidade terrena, a qual em geral se poderia caracterizar de moderna, é no que se refere à alimentação, antiquada. Essa humanidade pode ser considerada, não somente desde um ponto de vista espiritual, mas também em relação a tudo o que se refere à alimentação, como “o filho pródigo” – que come com os porcos” – segundo as palavras da Bíblia. De fato, este filho não só come os citados alimentos primitivos que considera necessário para a manutenção de sua vida, mas inclusive e às vezes, faz desta comida ou forma não natural de satisfazer sua fome, o núcleo de todo tipo de diversão. Nestes casos, vive para comer quando, na verdade, deveria comer para viver.

Como todas as substâncias animais citadas são extraídas dos organismos dos seres aos quais lhes foram tirada a vida, não se pode evitar considerá-las sob a qualificação de “cadáveres”; e qualquer forma de desfrute destes é o mesmo que “devorar cadáveres”. E por isso, naturalmente, este tipo de desfrute só pode pertencer à uma natureza animal e primitiva. E de modo algum pode produzir-se em uma forma superior de cultura ou existência humana.

Mas, permitam-me os leitores expressar aqui que não exponho as presentes análises para atacar a este ou a aquele que come carne, ao açougueiro, ao caçador ou ao pescador. Muito pelo contrário, para mim o comportamento de cada indivíduo em relação aos problemas citados e em relação à sua orientação espiritual, inteligência e evolução, deve ser decidido por ele mesmo e não por mim e nem pelos outros. Se exponho estas presentes análises é porque a questão da alimentação tem um caráter tão grave para a humanidade que nenhum de seus indivíduos pode chegar a ser totalmente saudável, ou viver uma existência totalmente livre de doenças sem antes entrar em contato com essa fonte de alimentação que, sem basear-se na morte e mutilação, está em sintonia com as leis eternas e se adapta à avançada evolução dos homens.